terça-feira, 15 de setembro de 2015

O dia em que eu fiz geleia de gengibre

O Lucas me deu dois livros de receita: um com receitas de chocolate e outro com receitas de compotas. O livro de receitas de chocolate foi bastante usado, mas eu ainda não tinha feito nada do livro de compotas. Não foi fácil achar uma receita que eu me sentisse segura pra fazer e que também pudesse encontrar os ingredientes. Foi então que eu escolhi uma geleia de gengibre, que ia também laranja e limão siciliano. O objetivo hoje não é dar dicas de como fazer geleia e nem passar receita de nada. É só pra contar a odisseia que foi passar quatro horas na cozinha sem fazer ideia se ia valer a pena. Começando às 23hr (kkkk) e terminando 2 da manhã.

Ingredientes simples: gengibre, limão siciliano, laranja, açúcar e água. Primeira instrução: descascar os limões e as laranjas. Barbada né? Não. As cascas eram duras demais e detonei minha mão fazendo isso. Demorou muito. Foi tão ruim que eu nem achei chato mexer no gengibre depois, sendo que é um saco descascar e picar. Cortei as cascas das laranjas e dos limões em tiras (parte branca pra cima facilita as coisas, descobri isso tarde demais infelizmente). Depois espremi as laranjas e os limões pra pegar o suco e coloquei os bagaços dentro de um pano que deveria ficar fervendo junto com as cascas, gengibre e água por... DUAS HORAS! Isso mesmo, duas horas. Enquanto fervia eu jantei e vi uns 200 episódios de South Park. Uma coisa que não falam no livro é que a quantidade de água que manda colocar evapora demais e tem que ficar colocando mais no meio do processo. Ou seja, é bom ficar de olho.
Quando ferve o suficiente, tem ainda que esfriar. A sorte é que estava muito frio na rua e deu pra colocar a geleia na janela. Depois que esfriou, hora de colocar o açúcar.  Esse foi o momento mais difícil porque é a hora que eu não podia colocar açúcar demais e nem cozinhar muito ou pouco tempo. Ainda por cima eu estava com uma quantidade de água diferente da que era pra ser. Eu não fazia (e ainda não faço muita) ideia de como é o ponto da geleia, mas no livro dizia que tinha que pegar um pouco na colher, dar uma esfriada e ver se ela descia em partes grandes, tipo blocos. Parece não fazer muito sentido, mas faz hehe. É bom não ficar mexendo a panela nessa hora. Ah, e precisa tirar a espuma que fica por cima também.

Visto o ponto da geleia, coloquei nos vidrinhos e fechei. Vidros com rosca são os melhores. Se guarda a geleia quente e o calor faz criar o vácuo. Quando eu coloquei no vidro eu me emocionei muito porque tinha ficado lindo. O gosto é muito interessante. Primeiro se sente a laranja, depois o limão e o gengibre fica no fundo. Adorei o resultado <3


Aqui vai a foto da minha geleia (deu 2 potes, outro maior do que esse). E pessoalmente ela é ainda mais bonita!








 
Dificuldade da receita: Tudo
Delícia: Muito interessante.
Faria de novo? De outro sabor, quero explorar o ramo das geleias se pá.
Custo-benefício: Isso é algo pra se tirar uma tarde com o amor da sua vida e ficar um bom tempo na cozinha. O perfume que fica em casa é INCRÍVEL.


A receita da geleia é essa aqui. Eu fiz metade. Boa sorte se alguém for tentar.



terça-feira, 8 de setembro de 2015

(não existe) Receita de bolo de cenoura

Uma das coisas mais misteriosas pra mim em termos de cozinha sempre foi achar uma receita de bolo de cenoura que funcionasse. Isso começou com a primeira vez em que eu resolvi fazer bolo na minha vida, e fui escolher logo esse, que é um dos maiores desafios em termos de bolo na minha opinião. A tal receita pedia cenouras cozidas e mandava colocar leite, ou seja, a fórmula do desastre. Eu tinha uns 10 anos mais ou menos nessa época. A minha avó, pra tentar me animar, comeu o bolo e disse que ele estava parecendo uma polenta. Eu fiquei muito triste nesse dia, chorei muito porque achei que esse era o atestado de que eu não tinha futuro na cozinha.
O tempo passou e eu esqueci essa mágoa, mas nunca desisti de fazer um bolo de cenoura perfeito. Anos e anos de bolos dando errado, foi um dia de acaso que fez com que eu descobrisse que não existe receita de bolo de cenoura.

Motivo:
Cenouras variam de tamanho e eu acredito que variem até em quantidade de água. Não tenho como afirmar isso com certeza, mas essas danadas são sabotadoras de receitas de sucesso.

Um dia fui pro estágio e uma colega trouxe um bolo de cenoura feito pela mãe dela. Era um bolo dos meus sonhos, bem como eu queria. Perguntei então pra minha colega: qual é a receita? A resposta: minha mãe faz de olho. Ou seja: a receita pro bolo de cenoura dar certo é conhecer o ponto da massa. Perguntei quantas cenouras e quantos ovos iam: 3 e 5 respectivamente. Achei então que esse era um bom ponto de partida.

A não-receita de bolo de cenoura vai abaixo:

Ingredientes:
3 cenouras
5 ovos
Óleo (infelizmente não dá pra ser com manteiga)
Açúcar
Farinha
Sal
Fermento

Preparo:
Ligar o forno a 180 graus.

Untar a forma com óleo e farinha - isso serve não apenas pro bolo não grudar, mas também pra não queimar a bunda (do bolo). 

Descascar as cenouras e processar no liquidificador junto com os ovos e o óleo. Eu gosto de colocar o açúcar junto nessa fase e bater também. Vão aproximadamente duas xícaras. A hora certa de testar a quantidade de doce na massa é depois que se coloca a farinha, então por enquanto ficamos nas duas xícaras mesmo. Quanto ao óleo, eu coloco meia xícara, embora sempre digam pra colocar uma cheia. Eu odeio bolo oleoso, fica pesado e com gosto de gordura. Depois, transferir a mistura pra uma tigela (que caiba uns 4 ou 5 litros com o objetivo de evitar melecas maiores). Colocar a farinha (aproximadamente 2 xícaras) e o sal (uma pitada, ou seja, pegue o sal do saleiro com a ponta dos dedos). Agora é a hora de provar a massa pra ver se está bom de açúcar. Se estiver, beleza. Se não, pode ir colocando mais até acertar a quantidade de doce desejada. O ponto da massa é mais duro do que um bolo de chocolate costuma ser. Se estiver líquido, colocar mais farinha até ficar firme, digamos que parecendo um mousse quando está gelado. Acrescentar o fermento e colocar o bolo pra assar.

De brinde, a minha colega ensinou uma cobertura super simples e deliciosa. Não é ganache, é mais cremoso e não tem o gosto tão forte.

Cobertura:
1 caixa de creme de leite (tem que ser o de caixa porque tem menos gordura)
Aproximadamente 4 colheres de chocolate em pó (dá pra usar Nescau, mas gente vamos nos valorizar)

Colocar a mistura no fogo até engrossar. Ta pronto. Espere o bolo ficar no mínimo morno antes de colocar a cobertura pra não sair espalhando tudo e fazer aquela meleca que faz a gente se arrepender de ter feito comida.

Caso não dê certo, tente de novo. Coloque mais farinha, menos farinha, mais açúcar ou menos açúcar. O caminho que me fez acertar foi esse, errando. Pode ser que exista uma receita de bolo de cenoura, mas eu nunca encontrei uma que funcionasse sempre. As cenouras são diferentes umas das outras. Do bolo de polenta até esse da foto foram 13 anos de aperfeiçoamento. Espero ter ajudado.


Dificuldade da receita: Tolerar a frustração
Delícia: Muito bom mesmo.
Faria de novo? Agora que consegui dominar a receita e não chorar com o resultado, sim.
Custo-benefício: É um bolo barato e delicioso. É bom pra dividir com os amigos. Aliás, pra ter boas relações na vida, levar bolo sempre ajuda.